Como melhorar a saúde das cartilagens com o COLÁGENO?

May 16, 2018

Uma aluna do nosso Curso de Manipulação e Uso de Plantas medicinais fez uma pergunta que achei tão importante que resolvi transforma-la numa matéria para nosso site! Afinal, muitas pessoas sofrem deste problema e pode ser importante para o entendimento sobre o tema.

 

A pergunta foi se o consumo de gelatina sem sabor pode ajudar nos casos de desgaste das cartilagens, por conta do colágeno... Tenho certeza que muitas pessoas tem a mesma dúvida.

 

Então, vamos lá...

 

 

 

O COLÁGENO E AS NOSSAS CARTILAGENS

 

Primeiro, vamos entender nossas cartilagens.

 

 

Elas são uma camada protetora que fica no contato entre os ossos nas articulações, evitando o seu desgaste. Elas são feitas de colágeno, basicamente o mesmo colágeno que dá flexibilidade aos nossos ossos, que dá tônus à musculatura e que sustenta nossa pele vívida e saudável.

Intuitivamente, temos a ideia de que se consumirmos o colágeno de fonte externa (gelatina, mocotó, pé de galinha), vamos aumentar o colágeno no nosso organismo. Talvez você também pense assim.

 

O problema é que o colágeno é uma proteína longa e complexa. Nosso sistema digestivo não absorve proteínas. Elas são muito grandes para passar pelo intestino e chegar à corrente sanguínea para ter um efeito benéfico direto nas cartilagens desgastadas.

 

Ou seja, nós não absorvemos o colágeno na alimentação!

 

O que acontece é que quando você consome o colágeno (ou qualquer outra proteína), ele é digerido por várias enzimas digestivas até se tornar apenas aminoácidos (que são os tijolinhos que constroem as proteínas) e aí sim eles serão absorvidos. É como um jogo de Lego. Um monte de pecinhas que formam um estrutura... mas para ser absorvido e aproveitado pelo organismo, eu preciso separar todas as pecinhas.

 

Então o que meu organismo absorve não é proteína, mas sim, aminoácidos!

 

Os principais aminoácidos que compõem o colágeno são a Glicina, a Prolina e a Lisina. Os dois primeiros podem ser produzidos pelo nosso organismo e por isso são chamados de aminoácidos não essenciais. Mas a Lisina precisa ser consumida na alimentação, trata-se de um aminoácido essencial.

 

Dentro do organismo, os aminoácidos podem voltar a formar colágeno, mas isso não é uma regra. O organismo olha para os aminoácidos e pode traçar outras "prioridades" para eles e construir outros tipos de proteína, não necessariamente o colágeno.

 

Ou seja, você consome o colágeno e ele pode se tornar qualquer outra proteína no organismo.

E mesmo que seu organismo decida produzir colágeno, ele pode deposita-lo em outras partes do corpo, não necessariamente nas cartilagens. Afinal, como vimos, ele pode formar tendões, pele, músculos, etc.

 

 

NO FINAL DAS CONTAS, CONSUMIR COLÁGENO AJUDA A RECUPERAR A CARTILAGEM?

 

Sim, ajuda, já que estaremos oferecendo ao organismo a matéria-prima, o substrato, para que ele possa preparar o colágeno. Agora precisamos orienta-lo a produzir o bendito do colágeno tipo II que é o colágeno das articulações, senão a coisa não funciona como o esperado.

 

Mas como fazer isso funcionar??

 

Bom, por colágeno conhecemos um grande grupo de proteínas e cada uma delas tem uma função diferente.

Veja a seguir alguns dos principais tipos de colágeno e suas funções:

 

- Colágeno Tipo I: Presente nos ossos, tendões e pele;

 

- Colágeno Tipo II: Cartilagens das articulações;

 

- Colágeno Tipo III: É encontrado na artéria aorta do coração, nos pulmões, nos músculos dos intestinos, fígado, no útero;

 

- Colágeno Tipo IV: Presente nas lentes da cápsula ocular;

 

- Colágeno Tipo V: Dá elasticidade e resistência aos órgãos.

 

E existem ainda outros tipos...

 

Desta forma, consumir o colágeno tipo II (retirado do externo do frango, por exemplo) é virtualmente melhor para tratar nossas articulações, já que estaremos oferecendo os aminoácidos ideias para que o organismo o reconstrua.

 

Mas além de consumir sua matéria-prima e o organismo decidir produzi-lo, o colágeno precisa de um processo de maturação. O que isso significa??

 

Ele se forma no nosso organismo como um filamento. Imagine um fio de espaguete cozido, sem forma definida. Para ter a função que precisamos e se torne o colágeno tipo II que vai para nossas articulações, precisamos que ele se enovele, ou seja, se enrole sobre si mesmo de uma forma bem específica. É como se o fio de espaguete se tornasse um fio de macarrão instantâneo (tipo miojo) todo enroladinho.

 

E aí, conseguiu imaginar?

 

E para que isso aconteça da forma adequada, precisamos de estímulo.

O que vai causar este estímulo é a presença de Vitamina C e Galactose no organismo. Se os filamentos de colágeno encontram Vitamina C e Galactose disponível, conseguem se transformar no colágeno tipo II, que aí sim, vai poder compor as nossas cartilagens.

 

 

SUPLEMENTAÇÃO DE COLÁGENO

 

Uma questão importante é a suplementação de colágeno que cada vez está mais na moda (e tudo que entra na moda me dá um medinho...).

 

O colágeno é uma proteína animal, que normalmente é produzida pelo nosso próprio organismo, mas também é produzida por outros animais. Ou seja, colágeno só pode ser produzida por animais.

 

No mercado hoje existem promessas de colágeno vegetal para atender a vegetariano e veganos que não consomem produtos de origem animais e que muitas vezes precisam tratar suas cartilagens. Mas infelizmente não é colágeno de verdade, é uma mistura proteica quimicamente preparada que, teoricamente, podem substituir o consumo do colágeno animal.

 

Como eu disse, não importa se o colágeno é de origem animal ou sintética, ele vai ser digerido, quebrado em aminoácidos e reconstruído no organismo. Assim, mesmo que você não tenha consumido colágeno, mas tenha consumido os aminoácidos necessários, o organismo ainda pode sintetiza-lo por si só.

 

Esses aminoácidos necessários vêm da nossa alimentação e quanto mais rica e completa for a dieta, mais possibilidade de tudo funcionar bem, inclusive a produção de colágeno.

O problema e que a maioria das pessoas tem uma alimentação empobrecida, sintética, artificial, quimicamente processada e altamente industrializada, e o resultado é que esses aminoácidos faltam. Se a alimentação é equilibrada, com consumo de alimentos de origem animal ou com consumo de vegetais ricos em proteínas, as concentrações de aminoácidos ficam equilibradas e dá para produzir o colágeno também.

 

Talvez numa dieta vegetariana, não aconteça com tanta eficiência do que consumindo o colágeno de origem animal, mas o organismo dá seu jeito.

O importante é termos também as quantidades adequadas de Vitamina C e Galactose para que este novo colágeno produzido tenha a função estrutural das nossas cartilagens.

 

Veja os alimentos que podem nos ajudar a obter Galactose e Vitamina C:

  • Alimentos ricos em Galactose: Grão-de-bico, ervilhas, lentilha, papaia, leite, etc.

 

  • Alimentos ricos em Vitamina C: Acerola, camu-camu, goiaba, pimentão, brócolis, limão, kiwi, etc.

 

E A SUPLEMENTAÇÃO COM CONDROITINA E GLUCOSAMINA??

Tanto a Glicosamina quanto a Condroitina são importantes para a saúde das cartilagens. Sem elas o processo é falho, com certeza.

 

Normalmente elas são produzidas pelo nosso próprio organismo e se tivermos uma alimentação adequada, o próprio corpo repõe as duas. Mas com o tempo, por déficit nutricional ou por conta que problemas genéticos, algumas pessoas deixam de produzi-las, o que também é um fator de comprometimento, podendo aumentar as chances de artrite e artrose...

 

Agora a suplementação é algo muito questionável... Tenho visto que por ser um problema muito recorrente (tá na moda), cada vez mais aparecem as associações de Condroitina e Glicosamina como milagrosas, mas não é bem assim.

 

Ao serem ingeridas, esses glicoaminoglicanos serão quebradas para poderem entrar novamente no organismo, neste processo deixam de ser o que são para se tornarem dissacarídeos (açúcares simples e absorvíveis pelo intestino).

 

O que acontece depois? O organismo é quem decide...

 

Dissacarídeo é açúcar e pode entrar no metabolismo de energia, pode virar a reserva (gordura e glicogênio) ou pode se converter em algo estrutural.

 

A maioria dos artigos de pesquisa que li sobre o assunto indicam que o tratamento com este tipo de suplementação não resolve efetivamente. Não existem resultados favoráveis que sejam conclusivos, de uma melhora significativa, e em alguns casos os pacientes que receberam placebo (remédios de açúcar e farinha, sem função terapêutica) alegavam melhora maior do que os pacientes que tomaram a associação de Condroitina com Glicosamina.

 

 

ENTÃO, COMO RESOLVER MEU PROBLEMA DE CARTILAGENS?

 

Saúde se constrói pela boca. Quanto melhor for a sua alimentação ao longo da vida, menores as chances de você desenvolver qualquer tipo de problema de saúde.

 

 

 https://bit.ly/2KxgdZ7

 

Não adianta esperar o momento em que tudo já se estragou no corpo para procurar uma solução milagrosa.

 

Mas então, o que eu posso fazer?

  • Exercícios estimulam a produção de colágeno tipo II;

 

  • Alimentação equilibrada fornece a matéria-prima adequada para a produção de colágeno tipo II;

 

  • Consumir água é extremamente importante para a hidratação das cartilagens., etc;

 Aproveite para conhecer o nosso E-book A ÁGUA COMO TRATAMENTO NATURAL PARA SAÚDE: https://bit.ly/2wQpnOr

  • Evitar o excesso de carga sobre as articulações. Observar o limite do seu corpo e a forma correta de fazer esforços;

 

  • Evitar problemas ergonômicos pode ajudar muito, como sentar corretamente, manter a postura, evitar dormir em colchões deformados.

 

São atitudes simples para a quais não damos importância quando somos jovens e saudáveis. Mas são elas que vão garantir nossa saúde e a saúde das nossas cartilagens ao longo de toda a vida.

 

Daqui para frente, em vez de correr atrás de receitas mágicas ou de propostas mirabolantes para recompor as cartilagens, vamos buscar uma alimentação mais saudável e equilibrada, rica em proteínas (de preferencia colágeno), Vitamina C e Galactose!!

 

 

PLANTAS PARA TRATAR AS ARTICULAÇÕES

 

Bom, eu não poderia deixar de falar sobre as plantas que podem ajudar muito neste caminho, não é mesmo??

 

Se você já está com dores, se suas cartilagens já estão desgastadas e você já tem um quadro de artrose, artrite ou algo parecido, as plantas que vou sugerir a seguir, são excelentes alternativas para este tratamento:

 

 

 Canela-de-velho (Miconia albicans) – parte usada: folhas.

 

Esta planta muito famosa em todo o Brasil por sua capacidade de tratar as articulações tem sido vendida como um milagre natural... Mas não é bem assim.

 

A planta é rica em Ácido ursólico e Ácido oleanoico, duas substâncias de ação antioxidante, anti-inflamatória e analgésica. Com isso, a canela-de-velho pode reduzir significativamente as dores das articulações e a inflamação, mas não vai recuperar as cartilagens.

 

Por isso, não se deixe enganar por promessas falsas. A planta funciona? Sim! Mas não recupera as cartilagens, ok??

 

Mas cuidado na hora de comprar, muitas plantas parecidas com canela-de-velho estão sendo vendidas por aí, mas não são a espécie correta. Algumas podem até trazer efeitos colaterais e outra não tem nenhuma função medicinal. Por isso compre sempre de fornecedores confiáveis e garantidos, que assegurem a origem e a identificação correta da espécie.

 

 

https://bit.ly/2IqGoEq

 

 

 

Erva-baleeira (Varronia verbenacea) – parte utilizada: folhas.

 

Esta planta é um dos melhores anti-inflamatórios encontrados na natureza. E o melhor, ela praticamente não apresenta efeitos colaterais, podendo ser utilizada sem causar riscos à saúde.

 

Sua ação sobre as articulações é de desinflamar com muita facilidade e eficiência, melhorando muito a qualidade de vida de quem procura ajuda.

 

E não apenas nos casos articulares... a erva-baleeira é muito eficiente também no tratamento de gastrites, dores musculares, pré e pós-operatórios, tendinites, ciático e tantos outros problemas inflamatórios.

 

Normalmente ela se desenvolve na região litorânea do Brasil, não sendo encontrada naturalmente nos interiores do país.

 

 

 

https://bit.ly/2rQu2KG

 

 

 

Erva-de-são-joão (Ageratum conizoydes) – Parte utilizada: folhas. Nunca usar as flores.

 

A planta tem uma potente ação analgésica em vários modelos de dor. Por isso ajuda muito em casos inflamatórios envolvendo as articulações.

 

Em pesquisa realizada com pessoas com artrose de bacia, o uso por 60 dias melhorou significativamente os resultados no teste de subida de escassa, por exemplo. E mesmo depois do fim dos testes, o resultado permanecia por longo período.

 

Ela também tem uma ação importante em preservar as cartilagens evitando de substâncias degradadoras de colágeno. Isso, sim, ajuda na recuperação das cartilagens de pessoas com artrose, por exemplo.

 

OBS: Mas lembre-se, apesar de ser uma planta de fácil acesso que nasce espontaneamente em muitos lugares, a erva-de-são-joão tem seus riscos. Suas flores são ricas em alcaloides pirrolizidínicos, que são altamente tóxicos para o fígado.

 

Por isso, ao usar a planta, assegure-se de ter retirados todas as flores, evitando, assim, os riscos de intoxicação.

 

 

 

https://bit.ly/2Ix22D2

 

 

 

Espero que estas dicas possam lhe ajudar a melhorar a saúde de suas articulações... Deixe aqui nos comentários os resultados que obteve com estas dicas. 

 

Vamos compartilhar nossas experiências!!

 

Um Grande Abraço!!

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags